De onde viemos

Desde os anos 1960 que o Município de Lins vem se destacando pelo compromisso com a Educação Popular. Patrocinados pelas diversas pastorais da Igreja Católica (a Diocese de Lins, então, era considerada uma das mais socialmente engajadas do País), mas também pela atuação de instituições como a Faculdade de Serviço Social (FSS) e o Grupo Linense de Educação Popular (GLEP), dos diversos movimentos sociais, mesmo durante o período da repressão militar (1964-1985), que puderam se organizar e contribuir para que os trabalhadores, gente das classes populares, se constituíssem em protagonistas do próprio processo de educação e pudessem ampliar seus conhecimentos sobre o mundo, buscando uma explicação para sua condição de vida, com o objetivo de transformá-la.

No clima favorável de resistência à Ditadura, no início de 1980, foi formado em Lins o Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT), o primeiro a se constituir no Oeste Paulista. Para ele afluíram muitas pessoas vinculadas às pastorais sociais católicas, líderes comunitários e antigos militantes de esquerda. Daqui, o PT irradiou-se para toda a região da Média e Alta Noroeste. Entre 1997-2004, Lins foi administrada por um primeiro Governo Democrático e Popular (Coligação PT-PDT-PCdoB), que, desde seus primórdios, implementou a efetivação das duas modalidades de EJA no Município, existentes até os dias atuais: a) alfabetização propriamente dita que é desenvolvida, através de monitores voluntários, pelo Programa “Auxilium” de Jovens e Adultos (PROAJA), constituindo-se numa parceria, desde 1998, entre a Prefeitura Municipal de Lins e a Faculdade “Auxilium” de Lins (FAL), e que mantém, atualmente, 11 classes no município; e b) continuidade, correspondente às séries seguintes, que ficou a cargo do Curso de Educação de Jovens e Adultos (CEJA) da Secretaria Municipal de Educação, com a participação de professores efetivos e temporários. No ano de 2003, funcionaram as mesmas 10 classes já existentes no ano anterior, com um atendimento que alcançava cerca de 200 alunos. Ainda em 2003, ocorreram três acontecimentos muito significativos para o avanço da Educação Popular e o aprofundamento do compromisso da administração municipal com a elevação do nível de escolaridade das classes trabalhadoras.

O primeiro acontecimento assaz relevante foi a inauguração, no dia 24 de abril daquele ano, do Centro de Educação Popular (CEP) “PAULO FREIRE”, sito na Escola Municipal “Profa. Alice Melges Tinós”, no Bairro Bom Viver I, que contou com a especial presença do Prof. Lutgardes Costa Freire, filho do ilustre pedagogo homenageado. O local passou a se destinar a encontros, momentos de estudos, de oficinas de trabalho e ainda de lazer para alunos e professores do CEJA, abrindo também suas portas aos demais jovens e adultos da comunidade circunstante. O CEP “PAULO FREIRE”, a partir de então, passou a oferecer cursos de capacitação profissional e momentos formativos.

O segundo, foi a abertura de uma nova classe na Escola Estadual “João dos Santos Meira”, do Bairro Guapiranga (zona rural distante cerca de 30 km de Lins), exatamente no dia 5 de maio daquele ano. Em 2006, a mesma classe recebeu cerca de 20 trabalhadores rurais sem-terra provenientes do Acampamento “Simon Bolívar”, então, localizado no bairro limítrofe de Canjarana (Município de Guaiçara). O terceiro acontecimento foi a maciça participação dos alunos do CEJA nas sessões preliminares e na própria II Conferência Municipal de Educação, contribuindo para a elaboração do II Plano Municipal de Educação – biênio 2004-2005. Como prioridades, ficaram definidas as seguintes ações: a abertura de salas em bairros periféricos e distantes do centro, como: Jardim Primavera, Junqueira, Jardim União, Residencial Paulo Freire, Francisco José de Oliveira Ratto (Lins V) e Ana Carolina (Lins VI); também a abertura de salas de 5a. a 8a. séries no Município em parceria com o Estado; o atendimento ao avanço tecnológico com aulas de Informática e inglês; a criação de possibilidades aos trabalhadores de opções de horários para poderem estudar (empresas que não respeitam os horários dos alunos empregados); e conseguir mais recursos para compra de material de consumo e de manutenção do CEJA. Em 2004, já estavam funcionando 13 classes de CEJA (11 organizadas até 2003) e duas novas que foram abertas, atendendo as prioridades estabelecidas na II Conferência, nos seguintes bairros: Jardim Primavera e Junqueira. A partir do mês de abril desse mesmo ano, 9 classes já estavam freqüentando duas horas/aulas semanais de Informática no Telecentro do CAIC “João Alves da Costa”.

No dia 27 de julho de 2004, foi inaugurado o Telecentro do CEP “Paulo Freire” para o atendimento às classes do CEJA e da população adjacente àquela unidade. A partir de setembro seguinte, as demais da Educação de Jovens e Adultos também foram incluídas nas aulas de informática. Em Lins funcionou também, de 2001 a 2004, por iniciativa do governo anterior e de professores voluntários, o Cursinho Pré-Vestibular Popular Municipal que chegou a oferecer até 100 (cem) vagas para alunos oriundos das classes populares. Em 2003 e 2004, aos estudantes afro-descendentes foram garantidas 51% das vagas existentes; às mulheres, no mínimo 20%; aos alunos oriundos dos municípios vizinhos (Guaiçara, Sabino, Cafelândia, Getulina e Guaimbê) também 20%; e aos portadores de necessidades especiais 05 (cinco) vagas.

Foi nesse contexto de efervescência na área da Educação Popular que nasceu a proposta da realização do I Fórum Regional de Educação Popular do Oeste Paulista (I FREPOP), em julho de 2003, no quadro das iniciativas educacionais implementadas durante a gestão do Dr. Antonio Folquito Verona, docente de Língua Italiana na Faculdade de Ciências e Letras (FCL) de Assis, Campus da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), junto à Secretaria Municipal de Educação de Lins (SP), entre 2001 e 2004.

O sucesso do primeiro evento ensejou a reedição de um segundo, já no ano seguinte. É importante notar que a realização dos primeiros dois eventos já integrava um grupo significativo e bastante engajado de parceiros não vinculados ao poder público, como: o Centro Universitário de Lins (UNILINS), a Fundação Paulista de Tecnologia e Educação (FPTE), o Instituto Americano da Igreja Metodista (IALIM) e a Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP). Contudo, em outubro de 2004, houve mudanças na conjuntura política local e a derrocada eleitoral da Unidade Popular representou um significativo revés no projeto de construção de mecanismos institucionais, a partir do Município, voltados à emancipação das classes populares. Há que se ressaltar, porém, que essa mudança não representou, ao menos de imediato, uma reversão completa de tendência, principalmente na área educacional, visto que o atual governo continua conservando a estrutura de funcionamento do CEJA, herdada inteira do governo anterior, quase inalterada.

Quando se deu a articulação em torno do III FREPOP, realizado em julho de 2005, o governo municipal, do PMDB, não concordou em fazer parte de sua equipe de organização, ainda que tenha liberado funcionários municipais e disponibilizado as informações necessárias para que o evento pudesse acontecer. Na sessão de abertura daquele evento, esteve presente e sentou-se à mesa da solenidade a Profa. Maria Aparecida de Oliveira Golmia, atual Secretária Municipal de Educação. Contudo, para a realização do IV FREPOP – I Internacional, a organização do evento contou também com a ajuda financeira da Prefeitura local. À mesa de abertura, além da secretária já mencionada, sentou-se e fez uso da palavra também o atual prefeito, Prof. Waldemar Sândoli Casadei. Logo após o evento de 2005, um grupo de participantes dos encontros anteriores, se articulou para formar uma Organização Não Governamental que passou a se chamar “FORUM DE EDUCAÇÃO POPULAR” (FREPOP), com vistas a dar continuidade a esse projeto. De sua Diretoria Executiva e do respectivo Conselho Fiscal fazem parte pessoas ligadas às entidades e instituições parceiras nos três eventos já transcorridos