FAi??RUM SOCIAL DE EDUCAAi??A?O POPULAR E FAi??RUM SOCIAL TEMA?TICO: UM OUTRO MUNDO Ai?? POSSA?VEL E NECESSA?RIO – UMA EXPERIASNCIA QUE ALIMENTA A MILITAi??NCIA


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Ai??A participaAi??A?o nos espaAi??os dos fA?runs sociais mundiais e fA?runs sociais temA?ticos, simbolicamente tA?m alimentado a militA?ncia, onde renova-se sonhos, esperanAi??as, compromissos com a construAi??A?o de um outro mundo possAi??vel e com a preservaAi??A?o da vida.

Este ano tivemos a oportunidade de participar do I FA?rum Social de EducaAi??A?o Popular que antecedeu o FA?rum Social TemA?tico ai??i?? que por sua vez aconteceu em comemoraAi??A?o aos 15 do FA?rum Social Mundial que em 2016, Toronto/CanadA? estarA? acolhendo a sua realizaAi??A?o no perAi??odo de 9 a 14 de agosto.

O FA?rum de educaAi??A?o popular foi uma motivaAi??A?o principalmente da FLACSO, CLACSO, CEAAL, CODESRIA, aconteceu nos dias 17 a 18 de janeiro em Porto Alegre. Um espaAi??o para o encontro de ideias, de experiA?ncias, debates e reflexAi??es principalmente em torno da relaAi??A?o das universidades pA?blicas, universidades populares e a educaAi??A?o popular. Aqui tivemos a oportunidade de conhecer prA?ticas inovadoras que as universidades vA?m desenvolvendo a partir da educaAi??A?o popular, afirmando que Ai?? possAi??vel desenvolver prA?ticas pedagA?gicas pautadas pelos princAi??pios da educaAi??A?o popular, assim como, percebendo quais os desafios para se avanAi??ar nas prA?ticas e metodologias de educaAi??A?o popular nesses espaAi??os.

Por conta da metodologia do FA?rum, participamos do grupo III – ExtensA?o e EducaAi??A?o Popular na universidade que contou com representantes dos seguintes paAi??ses: Brasil, Costa Rica, NicarA?gua, ColA?mbia, Argentina, Uruguai e Paraguai, paAi??ses que trouxeram experiA?ncias, prA?ticas pedagA?gicas que estA?o desenvolvendo a partir dos projetos de extensA?o nas universidades pA?blicas.

Neste sentido, podemos dizer que os projetos de extensA?o sA?o possiblidades para a vivA?ncia da educaAi??A?o popular, visto que a extensA?o mesmo com limites aproxima as universidades das comunidades, ultrapassando os muros que hA? anos isola o saber cientAi??fico do saber popular, dos sujeitos que muitas das vezes sA?o ai???objetos de estudosai???. Os projetos de extensA?o sA?o possiblidades para que docentes e discentes vivenciam a vida cotidiana das pessoas.

Das reflexAi??es no grupo, o recorte de algumas experiA?ncias como:

– A Costa Rica, vem investindo no processo da sistematizaAi??A?o na extensA?o universitA?ria como centro de aAi??A?o universitA?ria, valorizando o saber popular, o que possibilita a mudanAi??a da visA?o de pesquisa (pesquisa participante – construAi??A?o do conhecimento. Isso tambAi??m possibilita a valorizaAi??A?o das pessoas que fazem a extensA?o universitA?ria. Dessa forma, Ai?? possAi??vel a partir das experiA?ncias de extensA?o, influenciar na construAi??A?o de polAi??ticas pA?blicas.

– A ColA?mbia traz a experiA?ncia da formaAi??A?o dos professores mediado pelos princAi??pios e concepAi??A?o da educaAi??A?o popular. Acreditam que mudanAi??as na educaAi??A?o passa primeiro pela formaAi??A?o dos professores da educaAi??A?o infantil a educaAi??A?o universitA?ria. Assim, conseguiram constituir uma rede de educaAi??A?o popular formada por professores/as. Nos encontros anuais, professores de vA?rios paAi??ses da AmAi??rica Latina tA?m demonstrado interesse em participar.

– No Uruguai, as experiA?ncias de educaAi??A?o popular nos espaAi??os das universidades ainda se dA?o via vontade polAi??tica de alguns professores/as. Acreditam que Ai?? necessA?rio a institucionalizaAi??A?o da educaAi??A?o popular para adentar na construAi??A?o dos currAi??culos escolares/universitA?rios.

– Em relaAi??A?o ao Brasil destaca-se experiA?ncias no campo da educaAi??A?o popular nas universidades pA?blicas via os projetos de extensA?o e ainda por conta da vontade polAi??tica de professores que tA?m trajetA?ria na militA?ncia e em processos de educaAi??A?o popular.

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Um dos desafios apresentados pelo grupo III perpassa por garantir os princAi??pios da educaAi??A?o popular na elaboraAi??A?o dos projetos de extensA?o a partir da polAi??tica da educaAi??A?o dos paAi??ses presentes. Isso perpassa por vontade polAi??tica dos governantes. Neste sentido, se queremos as universidades iluminadas pelos princAi??pios da educaAi??A?o popular, temos que ai???incendiA?-lasai???.

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A extensA?o Ai?? a porta para o saber popular adentrar aos espaAi??os das universidades pA?blicas. Ai?? a possibilidade para que professores/as e estudantes ai???derrubemai??? as paredes que distanciam as universidades das comunidades apara que o saber popular e saber cientAi??fico se aproximem. O pensamento de Paulo Freire que iluminou e ilumina as lutas latino americano, precisam invadir os espaAi??os das universidades pA?blicas.

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– Percebe-se um forte questionamento ao modelo de extensA?o; devemos quebrar as estruturas que fazem com os projetos sejam distanciados das comunidades

– Os Processos polAi??ticos epistemolA?gicos, visam outro projeto de sociedade, isso nA?o se pode perder de vista;

– Ai?? preciso valorizar o marco de referA?ncia de EducaAi??A?o Popular para as polAi??ticas pA?blicas que orientam a elaboraAi??A?o de polAi??ticas no Brasil. As universidades pA?blicas precisam se apropriar do marco de referA?ncia. (SA? o Brasil tem um Marco para elaboraAi??A?o de polAi??ticas pA?blicas mediado pelos princAi??pios da educaAi??A?o popular).

– Ai?? necessA?rio seguirmos questionando o perfil do sujeito e dos processos de conhecimento, dos processos de formaAi??A?o dos professores, da sistematizaAi??A?o das experiA?ncias.

– Ai?? importante nA?o perdermos de vista que o saber notA?rio popular, tambAi??m Ai?? contraditA?rio nA?o Ai?? hegemA?nico.

– o relacionamento da polAi??tica pA?blica e a ressignificaAi??A?o da universidade ai??i?? polAi??tica pA?blica numa perspectiva de EP

– Sujeitos das polAi??ticas pA?blicas devem ser protagonistas do processo de construAi??A?o das polAi??ticas

– Um dos desafios estA? na institucionalidade da extensA?o universitA?ria pautada pelos princAi??pios da educaAi??A?o popular, hoje se tem experiA?ncias que parte da boa vontade dos docentes.

Olhar de quem nA?o estA? nos espaAi??os das universidades, mas vem da educaAi??A?o escolar e educaAi??A?o popular, acredita na educaAi??A?o para fazer mudanAi??as e fomentar a liberdade de um povo

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Aprendizados que nA?o podemos perder de vista na estrada da educaAi??A?o a partir do diA?logo educaAi??A?o escolar, educaAi??A?o popular e Universidades

 

A histA?ria da educaAi??A?o e seu territorio, sempre esteve, estA? e estarA? em disputa. Tem lado, faz disputa de classes e de projetos de sociedade. Tem opAi??A?o, romper ou manter o ai???status quoai???. A educaAi??A?o abre portas, Ai?? um caminho para se diminuir as desigualdades sociais. Por meio da educaAi??A?o se derruba murros e se diminue o isolamento do saber. Oprime-se ou liberta-se.

Neste sentido, pautar a concepAi??A?o e princAi??pios da educaAi??A?o popular na polAi??tica educacional nunca foi e nA?o serA? tarefa fA?cil, afinal, o cerne da concepAi??A?o da educaAi??A?o popular perpassa por mudanAi??a de mundo e pessoas. E romper estruturas histA?ricas leva tempo e precisa de engajamentos e compromissos polAi??ticos. Significa fazer rupturas de prA?ticas pedagA?gicas que hA? anos se perpetuam na educaAi??A?o brasileira e podemos dizer na AmAi??rica Latina, embora tenhamos vA?rias experiA?ncias exitosas na AmAi??rica Latina que apontam o quanto a educaAi??A?o popular contribui para que os espaAi??os escolares sejam fomentadores de consciencias crAi??ticas.

Trazemos na bolsa de volta do fA?rum mundial de educaAi??A?o popular e fA?rum social temA?tico 2016 que:

– As prA?ticas pedagA?gicas das Universidades, das escolas, dos espaAi??os escolares precisam ultrapassar as limitaAi??Ai??es das salas de aulas, ser um espaAi??o encantador, provocador. Neste sentido Ai?? necessA?rio possibilitar aos estudantes, prA?ticas pautadas pela concepAi??A?o e princAi??pios da educaAi??A?o popular com construAi??A?o coletiva, reflexAi??es problematizadas a partir da realidade destes, fomentar o saber popular junto ao saber cientifico.

– Os projetos de extensA?o universitA?rios precisam ultrapassar o conceito conservador. Os projetos precisam levar em consideraAi??A?o a dimensA?o polAi??tica Ai??tica, cultural, ambiental em que os sujeitos estA?o inseridos.

– A Universidade tem um papel significativo no processo da transformaAi??A?o social e na vida das pessoas.

E podemos afirmar que os espaAi??os dos FA?runs sA?o significativos para a reflexA?o, o diA?logo e troca de experiA?ncias, que contribuem para o fortalecimento das lutas contra a exploraAi??A?o e violaAi??A?o dos direitos humanos. Um espaAi??o que busca fazer a contraposiAi??A?o ao modelo econA?mico vigente, gerador de tantas desigualdades sociais. Um lugar para se fazer anA?ncios de coisas bonitas e possAi??veis onde o centro sempre deve ser o ser humano e sua capacidade de construir coletivamente com aAi??Ai??es transformadoras e em prol do bem comum. Utopia? Pode ser, mas com possibilidades de que um outro mundo Ai?? sim possAi??vel e viA?vel, depende de mim, de ti, de aAi??Ai??es individuais e muito mais, coletivas, com governos democrA?ticos dialogando com movimentos sociais engajados e comprometidos com a transformaAi??A?o social e com o avanAi??o de polAi??ticas pA?blicas emancipatA?rias, onde de fato os sujeitos das polAi??ticas sejam protagonistas das polAi??ticas, geradoras de vidas, um espaAi??o para se afirmar que um outro mundo Ai?? possAi??vel, necessA?rio e urgente.

Vera LA?cia Lourido Barreto ai??i?? Educadora Popular

Departamento de EducaAi??A?o Popular e MobilizaAi??A?o CidadA?

Secretaria Nacional de ArticulaAi??A?o Social/SG

BrasAi??lia, fevereiro de 2016