A Educação Popular, o FREPOP e a cidade do Recife

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 *   Carlos Silvan

 

A Educação Popular tornou-se ao longo de sua construção histórica, política e pedagógica, uma das principais bandeiras de luta e de prática educativa no Brasil e no mundo. O que chamamos de Educação Popular inspirada na experiência sistematizada pelo educador Paulo Freire, conquistou adeptos em muitas áreas, muito dessa conquista, especialmente, ao meu ver, porque lida com temas comuns ao cotidiano das pessoas e também por contribuir na reflexão da realidade e com a construção de um mundo solidário e a humanização das pessoas. A Educação Popular nos inspira a cuidar da autonomia, da liberdade, da democracia e da luta pela justiça e inclusão dos pobres na arena social e econômica, com ênfase na produção da leitura do mundo.

Observando a contribuição de Paulo Freire, percebemos que do mesmo modo, na tendência de educação libertadora (FREIRE, 2002), “os conteúdos aparecem sob a forma de temas geradores e são extraídos da problematização da prática de vida dos alunos” (FREIRE, 2002). E mesmo sendo adequado defender que não existe uma única corrente de pensamento nos processos educativos, devemos admitir que devemos buscar ser coerentes com o que falamos e praticamos como nos ensina Paulo Freire (SILVA, 2006). Isso tem a ver com a busca pela prática coerente no campo da educação e das práticas humanas. (SILVA, 2006).

No campo da saúde, onde a Educação Popular também foi incorporada, é necessário ficarmos atentos, pois é importante considerar que a Educação Popular em Saúde não é o único projeto pedagógico que pode “valorizar a diversidade e a heterogeneidade dos grupos sociais” (VASCONCELOS, 2001). Nesse sentido, os sujeitos que lidam com a educação podem esbarrar na concepção da “educação bancária” (FREIRE, 2002) de muitos profissionais e gestores da educação e da saúde, que poderiam ter na educação popular um dos elementos estruturantes para o fortalecimento das ações de educação juntos aos trabalhadores e trabalhadoras.

Torna-se razoável acreditar na Educação Popular como uma possibilidade, aqui entendida como um processo de produção do saber, que se dá “no diálogo” e numa “perspectiva libertária” (FREIRE, 2002). A educação popular pode ser compreendida como um processo de construção coletiva de uma consciência crítica. Também pode ser compreendida “como sendo um processo de construção de conhecimento que acontece na “trocas de saberes” e em comunhão” (FREIRE, 2002; VASCONCELOS, 2001; MELO NETO, 2004; SILVA, 2006).

Quando nos deparamos com o tema Educação Popular, uma das perguntas que escuto muito é como se aprende. Eu sempre digo que aprendemos ao fazer e fazemos para aprender. E sempre convido as pessoas para mergulhar no universo teórico e metodológico da Educação Popular. Uma das possibilidades de aproximação com o campo da Educação Popular é participando de atividades voltadas para o debate da educação do tema, como seminários, encontros, ciclos de cultura, roda de conversa, etc.

Falando em atividades, tem o Fórum de Educação Popular – FREPOP, algo muito representativo, para além de um fórum momentâneo de reflexão acerca de temas importantes para a humanidade, é um processo de organização social e política que colabora com os processos educativos e de socialização de saberes e fazeres. Também me parece adequado dizer que é um projeto ético – político que colabora com a experimentação da solidariedade, a luta pela democracia e novas formas de organização comunitária para o bem comum e o bem viver.

Esse ano, acontece mais um FREPOP. Desta vez vai ser na cidade do Recife, e noto como sendo uma boa oportunidade de juntarmo-nos para conversarmos sobre o bem viver, analisar o real e produzir utopias libertárias. Conclamo para que possamos nos encontrar no próximo FREPOP. Recife é uma cidade linda, pernambucano tem mania de acolher e cuidar. A comida é saborosa, as praias inebriantes e os traços culturais, parecem inspiradores para produzir esperanças.

  • Antropólogo, sanitarista e educador popular, pernambucano, morando em Brasília, e assim eu escrevo.