Sobre o FREPOP 2016 – Por Marcio Cruz

“dizer a palavra A� transformar o mundoa�?[1].

Contexto histA?rico do FREPOP

Vejo o FREPOP como um momento no Caminho da construA�A?o de uma sociedade que supere o Capitalismo e suas consequA?ncias para a humanidade. Um momento de encontro entre educadores e educadoras populares que fazem esta jornada pelos becos, ruelas, pelas comunidades, veredas, rios, vales, florestas, desertos e outros tantos contextos, para superar como humanidade o que recebemos de heranA�a e deixar condiA�A�es melhores aos que vA?o nascer, ou como costumo dizer, pavimentar o Caminho, deixando condiA�A�es melhores aos que virA?o.

Assim com outros fA?runs, cirandas e encontros de EducaA�A?o Popular, educadores e educadoras que participam do FREPOP compartilham o que fazem no Caminho, e fazem isso com alegria, com seu corpo, suas emoA�A�es e distintas de linguagens e entendimentos. O FREPOP tambA�m reA?ne pessoas que nA?o se reconhecem como educadoras mas que tA?m inquietudes, e espaA�os onde sA?o acolhidas. HA? tambA�m encontros interpessoais que articulam novos processos de organizaA�A?o, como ocorreu com Boaventura Monjane e Eduardo Quive que se conheceram no FREPOP 2016, e nem sabiam que moravam em bairros bem prA?ximos na cidade de Maputo, MoA�ambique.

Dilemas de organizaA�A?o

Nas ediA�A�es do FREPOP que ocorreram em SA?o Paulo no municA�pio de Lins, havia uma cultura local de organizaA�A?o, um acA?mulo de aprendizagem pessoal e coletiva para fazA?-lo a cada ano de forma diferente, aperfeiA�oando aspectos que necessitavam serem melhorados. Um arranjo local com fornecedores, prestadores de serviA�o, grupos de apoio, poder pA?blico municipal, escolas, famA�lias da comunidade e outros sujeitos envolvidos na organizaA�A?o em cada ano. AlA�m da cumplicidade e confianA�a de propA?sito que se permitiam as pessoas envolvidas no processo de organizaA�A?o para lidar com os erros pessoais e coletivos como parte do processo de aprendizagem, e foram muitos.

Ao organizA?-lo de forma itinerante todas estas relaA�A�es se realizam localmente sem este acumulo e com enorme esforA�o pessoal e coletivo. Ao mesmo tempo, existe a tarefa de compartilhar a aprendizagem dos eventos anteriores, sem interferir no processo local. Garantindo que seja autA?ntico e ao mesmo tempo mantenha o Caminho MetodolA?gico adotado atA� aqui.

RealizaA�A?o do FREPOP 2016/Recife

O dA�cimo terceiro FREPOP realizado na Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, foi o segundo itinerante e carregou para o centro do processo os dilemas desencadeados no FREPOP realizado em 2014, como por exemplo, nA?o ser organizado pela ONG FREPOP, como fora a ediA�A?o de Sergipe. O FREPOP 2016 foi precedido de trA?s cirandas nacionais realizadas em Pernambuco, onde ocorreram tambA�m uma dezena de cirandas locais. AlA�m de cirandas nos estados do ParanA?, SA?o Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, ParaA�ba, Sergipe, Alagoas e no Distrito Federal.

A primeira Ciranda Nacional de MobilizaA�A?o e OrganizaA�A?o ocorreu em Carpina/PE, quando haviam educadores/as populares de outros estados ligados a SaA?de, a Cultura, a luta no Campo, a EducaA�A?o Integral, a Recid-Nacional e a ONG FREPOP, alA�m de pessoas vinculadas localmente a estas A?reas de atuaA�A?o. Esta primeira Ciranda parecia ser o embriA?o do ComitA? Nacional de MobilizaA�A?o e OrganizaA�A?o do 13A? FREPOP. AlA�m das Cirandas foram realizadas reuniA�es virtuais e trocas de mensagens pelas redes sociais, por onde se faziam consultas e pequenos encaminhamentos. Quando realizou-se e a segunda e a terceira Ciranda Nacional em Recife muitos/as estavam envolvidos com atividades de resistA?ncia contra o Golpe a democracia e nA?o puderam participar.

A constituiA�A?o de um ComitA? Nacional como territA?rio de orientaA�A?o polA�tico metodolA?gica, nA?o se concretizou. Em parte pela conjuntura destes tempos de golpe, quando educadores/as, dentro e fora dos do governo mantinham frentes de mobilizaA�A?o. Entendo que nA?o temos controle sobre determinados contextos e processos, mas tambA�m entendo que recaia sobre mim uma expectativa de amigos/as, educadores/as e colaboradores/as do FREPOP para liderar este processo de https://www.acheterviagrafr24.com/a-quoi-sert-le-viagra/ http://vitriyaningsih.mhs.narotama.ac.id/2018/03/15/doxazosin-2-mg-costo/ constituiA�A?o de um ComitA? Nacional, expectativa que nA?o fui capaz de realizar, mas que mantA�m-se como desafio para as prA?ximas ediA�A�es.

buy pills Intencionalidade do FREPOP

A realizaA�A?o de um fA?rum entre educadores e educadoras Populares estA? fundamentada no encontro para a partilha de saberes e experiA?ncias distintas do fazer na EducaA�A?o Popular. Para que possamos celebrar nas aA�A�es e perspectivas de cada pessoa, de cada experiencia, em distintas formas de linguagem (principal aA�A?o em FA?runs e Cirandas) os objetivos da prA?pria experiA?ncia pessoal e coletiva em distintos contextos.

As Cartas PedagA?gicas expressas no livro FREPOP: tecendo e alinhavando encontros, experiA?ncias e saberes confirmam esta intencionalidade atA� aqui. No entanto a vida tem movimentos que se parecem como o de um rio. As vezes calmo e constante, outras violento, com fortes correntes. NA?o dA? para estar no mundo do mesmo jeito nas duas situaA�A�es. Em meu modo particular de ver, no 13A? FREPOP ficou claro que esta intencionalidade apesar de bela, de revelar as dimensA�es afetivas, de espiritualidade e corporalidade, de oferecer espaA�os as relaA�A�es interpessoais, de ser um territorio de conhecimentos surgidos de experiencias exitosas de EducaA�A?o Popular para determinados contextos e territorios, esta intencionalidade nA?o dA? conta de articular com a potA?ncia necessA?ria a dimensA?o polA�tica da vida.

NA?o a dimensA?o das ciglas partidA?rias, que se consome em disputas por espaA�os de governo e poder. Mas a dimensA?o polA�tica da vida revelada por Bertold Brecht no poema o Analfabeto Politico. A que define a condiA�A?o e situaA�A?o de vida das camadas populares. A que define se as pessoas vA?o comer, vA?o morar, se terA?o sapatos nos pA�s ou andarA?o descalA�os. A que define se as pessoas terA?o direitos a saude, e mesmo como vA?o nascer. E a dimensA?o polA�tica que faz surgir a�?o pior de todos os bandidos, que A� o politico vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e internacionaisa�?. Quem sA? consegue enxergar a polA�tica pela dimensA?o da disputa pelo poder do Estado, A� dominado por quem vA? a dimensA?o polA�tica no conjunto da sociedade, nas relaA�A�es das pessoas com o mundo externo a si, como o mundo do trabalho, das necessidades para sobreviver, da cuidado dos filhos, ou, consigo mesmo, seu corpo e suas emoA�A�es e sua autoestima. Tudo tem uma dimensA?o polA�tica na historia.

Neste momento do Caminho, os desafios sA?o enormes. Poderemos explora-los no processo de sistematizaA�A?o do FREPOP 2016 que realizaremos, mas deixo aqui minha perspectiva: os desafios da EducaA�A?o Popular, particularmente na AmA�rica Latina tem a ver com a organizaA�A?o da dimensA?o polA�tica das camadas populares. O FREPOP pode cumprir papel distinto do que cumpriu atA� o momento sem substituir a multiplicidade de expressA�es, a pluralidade de pertencimentos, diversidade de saberes, mas, ampliar para alA�m sua intencionalidade, para a organizaA�A?o das camadas populares na perspectiva da construA�A?o radical de um outro mundo possA�vel e viA?vel.

OrganizaA�A?o como processo vivo de aprendizagem pessoal e coletiva.

Aprendi nas treze ediA�A�es do FREPOP, que o processo de sua organizaA�A?o A� uma enorme oportunidade para experimentarmos novas formas de amor, de amizade, de cumplicidade, de confianA�a, de proximidade, entendimento, aceitaA�A?o e perdA?o. Ao mesmo tempo de compromisso para novos desafios, para novas competA?ncias, para novas tarefas as quais nA?o estamos habituados, e para a construA�A?o de confianA�a de propA?sito entre educadores e educadoras populares.

NA?o foi diferente em Pernambuco. Pessoas que nunca haviam organizado algo juntas, se desafiaram a organizar o FREPOP em cinco meses, dentro de um contexto particular de golpe contra a democracia no Brasil. Foi uma oportunidade impar para exercitar o compromisso com os diferentes e diferenA�as. Para vivenciar a amorosidade, a cumplicidade e a confianA�a de propA?sitos nos processos de EducaA�A?o Popular. Para exercitar a forma como lidamos com os erros e acertos das pessoas inseridas nos processos, pois sA?o muitas pessoas e diferentes erros e acertos. NA?o A� tarefa fA?cil promover cumplicidade e confianA�a de propA?sitos entre pessoas que nA?o se conhecem, ou que nunca tenham organizado algo juntas. Quando pararmos para a sistematizaA�A?o nA?o podemos deixar que ocorra o que tambA�m nos disse Bertold Brecht em outro poema dedicado aos que vA?o nascer, quando escreveu: a�?Ah, e nA?s que querA�amos preparar o chA?o para o amor, nA?o pudemos nA?s mesmos sermos amigosa�?. A� fundamental avaliarmos os processos com amorosidade e respeito mutuo, com fatos que fundamente as leituras de contexto, e que possamos preparar pontes para a aprendizagem pessoal e coletiva.

Minha declaraA�A?o de gratidA?o e incompetA?ncias.

Quero aproveitar neste texto para seguir o conselho do educador Ray Lima: a�?leve contigo o que te pertence e deixe no caminho, o que nA?o tem serventia para a lutaa�?, disse-me num abraA�o. Por isso, preciso dirigir-me aos educadores e educadoras de Recife para agradecer a generosidade que tiveram ao acolher o desafio de organizar o FREPOP e nA?o ter medo de errar. Vou carregar comigo esta coragem, esta aceitaA�A?o como um exemplo para a vida. Agradecer a tolerA?ncia em tempos de intolerA?ncia, a acolhida em tempos de desafetos. E pedir perdA?o por expectativas que nA?o fui capaz de realizar. Assumi tarefas que nA?o dei conta. Declarar incompetA?ncia, para muitos A� sinal de fraqueza, para mim, A� um passo fundamental para novas aprendizagens. Por isso A� importante assumir que nA?o fui competente e sei que isso causou danos a mim e ao processo. Por exemplo: NA?o fui competente para publicar a programaA�A?o do FREPOP em tempo adequado e sem erros; nA?o fui competente para realizar e participar da Roda de Conversa sobre o futuro do FREPOP que havia proposto na programaA�A?o a ponto de nA?o articular a presenA�a de pessoas importantes para este momento, e se quer, lembrar da atividade que de fato ocorreu, porque outros mais atentos que eu estavam presentes. Fui lembrado momentos antes a caminho da UFPE quando discutia por telefone como resolver o problema do cafA� da manhA? que ainda nA?o estava de todo resolvido.

Fui incapaz de escutar os meus prA?prios limites e as pessoas a minha volta. Enclausurado numa sala por quatro dias, absorvido por problemas coletivos, fui incapaz de sorrir. Busquei resolver problemas sem compartilhA?-los acreditando que eram meus. Estava errado! NA?o eram meus problemas. Eram do FREPOP e haviam pessoas com quem eu podia e devia compartilhA?-los.

Cometi erros que comprometeram estes e outros aspectos da organizaA�A?o, e nA?o cabe aqui justificativas. Somente assumi-los e esperar que a vida me dA? oportunidade para nA?o repetir os mesmos erros e demostrar que aprendi, pois aprendizagem A� algo que se realiza, nA?o que se declara.

Pessoalmente saio deste FREPOP com importantes desafios no territA?rio pessoal, que incidem na minha relaA�A?o como educador. Aprender a ser mais respeitoso comigo e com a aA�A?o coletiva sem assumir responsabilidades que nA?o sA?o sA? minhas. Voltar a cuidar das relaA�A�es que cultivei na caminhada. Melhorar minha capacidade de escuta e nunca perder a oportunidade de dar um abraA�o nas pessoas que amo, que admiro, que tenho um enorme carinho, que partilham comigo do Caminho. NA?o esquecer o conselho do velejador Amir Klink no livro Cem dias entre o cA�u e o mar: a�?nA?o existem infinitas oportunidadesa�?.

Dizer a palavra A� transformar o mundo! NA?o por que a palavra carrega em si alguma magia, mas porque a partir da palavra eticamente comprometida, how much is a year supply of propecia https://www.acheterviagrafr24.com/acheter-viagra-sans-ordonnance/ redesenhamos nosso estar no mundo, definimos e redefinimos nossa identidade pessoal e coletiva e agimos para ter resultados que incidam, que transformem nossa realidade e a realidade das pessoas que conosco compartilham o Caminho. Por isso compartilho estas palavras com vocA?s, desde um princA�pio A�tico para a vida.

Marcio Cruz
Educador Popular um dos fundadores do FREPOP

[1] FREIRE Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17a.Ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987 where to buy cheap colchicine

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