Carta de Lurdes Santin sobre o FREPOP

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Eldorado do Sul, 12 de agosto de 2016

Queridas educadoras e educadores do FREPOP!

Debaixo de uma linda figueira, ao som magnífico dos passarinho embalado pela música de uma leve brisa, acalmo o corpo e convido a memória para traçar umas linhas, sobre o FREPOP. Talvez não tenha habilidade de bordadeira, que poderia ter contornos mais coloridos, curvas e relevos. Mas penso ter sensibilidade de educadora popular que me convidam a opinar.

Me preparei e cheguei ao meu primeiro FREPOP com alegria e expectativas. A primeira dela de encontrar no FREPOP mais do que um Evento, que por si só seria importante, mas por tratar-se de Educação Popular a necessidade de ser Processo. E Processo de Transformação e, por isso, expectativa de um processo de organização e construção coletiva do conhecimento a partir da experiência concreta dos sujeitos envolvidos em suas vivências de antes, durante e significando para o após.

A beleza e o calor do local, junto com a empatia e disposição do povo pernambucano deram conta de uma acolhida anergizante, potencializada pelos constantes atos culturais desde a abertura até as intervenções espontânea durante as atividades, além das programadas a noite.

As manifestações culturais deram conta de uma mística necessária para alimentar a alma. Senti, no entanto falta delas, principalmente em momentos como por exemplo nas Arenas – onde intencionalmente poderíamos ter organizado um cenário mais colorido, poetizado e acolhedor como um valor constituinte da ética da educação popular.  

Falando em Ética e processos de Educação Popular, me reporto a necessidade do Respeito a/com a outra, o outro, tanto individual quanto coletivo no sentido do processo manter a capacidade crítica e postura coerente de Teoria e Prática. Senti que tivemos essa capacidade em partes. O que vivi e captei das rodas, oficinas e as mais diversas trocas em todos os momentos, sim aconteceu. E tantas vezes espontaneamente. No entanto, quando olho para o processo pensando na Intencionalidade transformadora, como exigência da Concepção de Educação Popular que acredito que concordamos, senti e captei a falta, explicito: De Intencionalidade. Participaram um grande número de pessoas (muita juventudes) ainda sem coletivos, organização ou espaços articulados e o Fórum (como um Evento) não me parece ter cumprido a dimensão viagrasansordonnancefr.com intencional de contribuir com a produção de força organizativa transformadora, apontando para dentro da classe trabalhadora a fim de somar para a necessária correlação de forças impulsionadora da mudança. Embora teoricamente me parece que o Fórum tem isso, não consegui ver na prática. Considero essa falta prejudicial, inclusive para a produção coletiva do conhecimento que é outra dimensão fundamental dos processos de educação popular. Produção essa faltante que prejudicou decisões coletivas sobre o processo. Sai do Fórum com uma dúvida não resolvida: Qual sua Intencionalidade num processo coerente de teoria e prática.

Embora foi perceptível o tanto de trabalho solidário e coletivo para proporcionar as condições das experiências lindas e profundas que aconteceram, da mesma forma não foi possível ver a atuação orgânica de um coletivo nacional desse fórum. Explicitou-se isso em momentos, na minha visão, estratégicos como: a roda de conversa sobre o futuro do fórum. Onde não houve articulação, amarrações para momento tão significativos com as pessoas chaves para que houvesse a discussão necessária e impulsionadora do processo. Embora a roda tenha sido rica, ficou vaga e sem utilidade, pois em nenhum momento do fórum as considerações da roda foram úteis, nem na Plenária final. A plenária final sem debate mínimo prévio para a discussão para que houvesse condições de tomadas coletivas de decisões, tanto de intencionalidade de processo, como de mudança da ONG. Essa, as pessoas não tinham as informações e nem debate para a “assinatura solidária”. Essa possibilidade de ser um outro instrumento a serviço da Educação popular estava na cabeça de poucos. Sintoma que precisamos diagnosticar melhor, pois se queremos, de fato, que o Fórum, que a nova ferramenta jurídica cumpra o papel estratégico de Teoria e Prática para transformação. Afinal, qual mesmo é a intencionalidade do FREPOP?

As vivências através dos processos das inúmeras atividades, não deixam dúvidas de sua riqueza para cada indivíduo que é muito importante, pois que o coletivo é formado por indivíduos, no entanto, sem indicação de processo que canalize o pós fórum para dentro de uma força organizativa, para processos de práticas pedagógicas que acumulem força política organizava, perde-se muito de energia e de possibilidade intencional e transformadora.

Captei dois processos paralelos. Um a riqueza e leveza dos participantes, em todos os espaços, os previstos e os casuais, na feira maravilhosa, nas banquinhas de alimentação etc.  Todas as pessoas que não estavam na organização, curtindo e vivendo a intensidade dos encontros. Encontros e partilhas que foram se intensificando a cada novo encontro e reencontro dentro do espaço do FREPOP – reafirmo, de grande riqueza informativa, formatiza e cultural. Relações de humanização e amorosidade. O outro, que talvez seja uma visão superficial, mas preciso apontar, era o movimento dos GT, equipes, mas principalmente de quem constituía ou deveria constituir a coordenação geral, não sei bem se é esse o nome. Ficou explícito a falta de sintonia, exemplo: A Programação, a Roda de Conversa, já citei, sobre o futuro do FREPOP, a Plenária final sem debate anterior (também já mencionei). Senti que a exigência da educação https://www.acheterviagrafr24.com/viagra-ordonnance/ popular de novas práticas e processos poderiam ter sido vivenciadas por parte deste grupo.

De forma geral foi possível perceber a dimensão política nas discussões com respeita as diversidades e pluralismo democrático; a dimensão histórica a partir da reflexão feita pelos atores e atrizes de suas próprias experiências trazendo seu contexto local e cultural para a roda como elemento transformador; o esforço da dimensão pedagógica para construção de novos conhecimentos e novas práticas. Também o vento dos princípios refrescaram as discussões contribuindo para dar sentido ao que se faz e sente; a busca de articular a teoria e a prática.

Em fim, não há fim. Há processos e posso ter me equivocado em certos aspectos. No entanto, como educadora popular que me reivindico, me sinto comprometida e aberta para diálogos.

Abraços carinhosos a cada uma e cada um!

Lurdes Marta Santin – Educadora Popular e Militante do Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos

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