MINHA BREVE AVALIAÇÃO SOBRE O XIII FREPOP – X INTERNACIONAL (por Antonio Folquito)

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A EDUCAÇÃO POPULAR CONTINUA SEU CAMINHO AUTÔNOMO, RADICALMENTE CRÍTICA E LIBERTADORA, MUITO ALÉM DAS DISPUTAS E DOS INTERESSES PARTIDÁRIOS, ASSIM COMO DAS RELAÇÕES SUBSERVIENTES AO PODER POLÍTICO.

Vou tentar expressar aqui o que já havia dito em várias oportunidades, durante o desenrolar do próprio evento. Antes de mais nada, quero agradecer do fundo do meu coração tod@s as pessoas que laboriosa e decididamente se esforçaram para que o fórum de forma brilhante acontecesse. Desde as que atuaram diretamente na coordenação geral, como os companheiros Cledson Reis e Marcio Cruz; até o último dos voluntários a se inscrever para, generosamente, atuar nos bastidores. Tod@s estão de parabéns pelo sucesso do evento!

Quero agradecer também todas as pessoas com as quais me encontrei e pude trocar as mais positivas energias e ideias. Em especial, àquelas que refletiram longamente comigo sobre os rumos que deveria tomar o evento e que acabaram por influenciar direta ou indiretamente as minhas tomadas de posição, ao longo dessa última semana: Alexandre BarretoAline Oliveira, Álvaro Pantoja Leite, Any Bares, Beatriz González SotoClaudia XavierEduardo Quive, Jose Luiz Horta Machado, Ray Lima, Wellington Agostinho

Pela primeira vez, desde a fundação do fórum, em 2013, participei deste evento tão somente como alguém convidado (mas, pagando a própria passagem). Cheguei a atuar numa arena e facilitei, ainda, duas vivências a várias outras pessoas interessadas. Circulei por onde pude e conversei com muitas pessoas. Portanto, tive um olhar “de fora” da organização, distante das tensões e dos compromissos de fazer algo funcionar. Creio que esta condição deveras privilegiada me deu um outro olhar para ver, ouvir, falar e sentir o que efetivamente ocorre no chão do movimento que estamos construindo.

O FREPOP se credenciou como um grande espaço de encontros múltiplos, heterogêneos, propositivos, rumo ao outro mundo possível que almejamos, mas não hegemônico. O respeito à heterogeneidade é de fato a sua marca registrada. Essa multiplicidade de atrizes, atores e personagens não é dispersante, nem difusa, mas constituinte de relações que apontam para uma nova ética e para novas formas de se construir e viver o social, num clima de muita solidariedade, de muito companheirismo e, sobretudo, de muita generosidade.

Vivi momentos excepcionais no encontro com as outras pessoas. Considero que os encontros sejam sempre muito mágicos e imponderáveis. Por vezes, me levaram a experimentar sentimentos muito intensos e profundos. Cheguei até a soluçar diante de tanta beleza! E não observei isto apenas em mim, mas foram muitos os relatos de outras e outros que confirmaram-me que a essência do evento está nele mesmo. Sem passar pelo conhecimento no próprio corpo (nossa primeira dimensão), vivendo e experienciando a Educação Popular, mediada por esse encontro entre as pessoas que interagem e se educam reciprocamente, não se pode dizer que na realidade a entendemos. Temos que passar por essa interação para nos transformarmos e nos apropriarmos como educadores populares. O nosso chão é a experiência factível. E o FREPOP nos oferece exatamente isto! Não há conceitos, palavras, discursos ou textos que consigam render cabalmente a apreensão que cada uma/um de nós faz, em si mesmos, nesse ato de uma profunda troca de energias. E essa apreensão é também coletiva porque todas as pessoas com quem conversei, ao longo desses dias, me disseram exatamente o mesmo que lhes estou dizendo aqui. Por isto tudo, o FREPOP será um sucesso, independentemente das condições materiais em que se realiza.

Comparando com todas as edições anteriores, creio que esta tenha apresentado um maior número de dificuldades. Desde a falta de informações a respeito de onde, quando e como se desenrolariam as atividades, passando pelas precárias condições de hospedagem coletiva até as dificuldades iniciais do serviço de alimentação. E creio que os emaranhados não se encerrem aí, no âmbito da infra-estrutura, mas que se localizem também no próprio gerenciamento do evento como um todo.

Como já mencionei acima, porém, os objetivos do evento foram plenamente alcançados pela própria fala das pessoas participantes. Afinal, o simples fato de gente dessa natureza se encontrar já produz o que é necessário para que ela continue se encontrando. E o XIII FREPOP – X Internacional, neste aspecto, não foi em nada diferente de todos os eventos anteriores, desde 2003.

Um penúltimo parágrafo sobre a minha explícita e pública retirada do plenário da Avaliação Final, antes da leitura e discussão do texto da chamada “Carta de Recife”. Não entro aqui no mérito dos temas ali tratados. Entendo que seja legítima qualquer manifestação de tendências ou grupos, de qualquer natureza, dentro do fórum. Mas, entendo também que as pessoas precisam assumir a responsabilidade pelo que publicam. Portanto, se a referida carta conter a identificação de quem a subscreve, não vejo mal algum que ela circule. Se trata, contudo, de gente do evento e não o FREPOP (agora, Movimento) como um todo, mesmo porque há muitas vozes discordantes entre nós quanto ao modo de se entender a postura e a atuação da Educação Popular dentro da atual conjuntura política em que vivemos.

Partilho da opinião utópica daqueles que, dentro do FREPOP, vêem e agem através da EDUCAÇÃO POPULAR vista como um instrumento pedagógico a serviço da transformação social, de natureza radicalmente crítica e libertadora tanto das pessoas, quanto dos grupos, chegando a atingir a inteira coletividade, mantendo-se, contudo, de forma autônoma, eqüidistante das disputas e dos interesses partidários, assim como da subserviência ao poder político de plantão.

Assim, o FREPOP continua firme na construção de um outro mundo possível.

Lins (SP), 27 de julho de 2016.

Antonio Folquito Verona

Um comentário sobre “MINHA BREVE AVALIAÇÃO SOBRE O XIII FREPOP – X INTERNACIONAL (por Antonio Folquito)

  1. Importante avaliação. Gostaria de dar destaque a outras duas pessoas que compuseram o processo que você chama de “Coordenação Geral”: falo de Glauce Golveia e a Carla Dozzi. Sem a dedicação destas duas mulheres, o FREPOP não teria sido o que foi, especialmente em suas virtudes!

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